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Deus escolhe os piores?

30 DEZ 2014
30 de Dezembro de 2014
Nesses anos de caminhada dentro da música católica em inúmeros encontros, formações e retiros, perdi a conta das vezes em que ouvi essa frase do título. É muito comum que pregadores recorram a chavões que, por quererem dizer muito em poucas palavras, por vezes acabam por serem simplórios e quem ouve acaba interpretando mal essas ideias. Vejamos:

A Bíblia nos conta que Deus enviou Samuel à casa de Isaí (ou Jessé) para escolher um de seus filhos a fim de ungi-lo como o novo Rei de Israel.

Ao chegar à casa, o pai enfileirou os seus sete filhos para que Samuel escolhesse o melhor. No entanto, o Senhor rejeitaria a todos, um a um, restando o cargo a Davi, o caçula e pastor das ovelhas. Apesar de Davi não ser o mais aquinhoado dos seus filhos ele era descrito como um belo homem.

A partir daí poderíamos dizer que Davi era “o pior”? Talvez até fosse, mas certamente ele não era nada desprezível.

Alguns versículos adiante, temos uma descrição um pouco mais detalhada do jovem. Quando Saul é tomado por um espírito ruim, um de seus servos diz conhecer o filho de Isaí e o descreve da seguinte forma: “sabe tocar muito bem: é valente e forte, fala bem, tem um belo rosto, e o Senhor está com ele.” (I Sam 16, 18).

Bom, essa descrição não bate muito bem com uma escolha “dos piores”… Davi talvez fosse o pior aos olhos de um pai que tinha uma expectativa claramente preconceituosa acerca dos requisitos para um rei. Ou seja, esse pior tem mais a ver com um olhar da sociedade do que de uma característica inerente da pessoa.

Quando conhecemos melhor a pessoa de Jesus, vemos a sua predileção por uma parcela daquela sociedade que era a mais marginalizada, pois ele andava com adúlteros, prostitutas e cobradores de impostos. Dessa forma, poderíamos deduzir que Deus escolhe os piores.

Mas piores aos olhos de quem? De uma sociedade preconceituosa e hipócrita? Jesus, que sondava os corações, sabia perfeitamente quem eram, no fundo, os melhores. Inclusive dentre os próprios fariseus, classe costumeiramente denunciada por Jesus, houve quem tivesse se tornado discípulo de Jesus.

Eu não diria que Deus escolhe os piores. Deus escolhe aqueles de quem precisa. Cada serviço, cada trabalho, exige um perfil. Pedro era turrão, rude e impulsivo, mas eram justamente essas características de que Jesus precisava para o líder da sua Igreja. Paulo era arrojado e intransigente. Por isso foi enviado para expandir as fronteiras do cristianismo. Você pode até ser um “pior” aos olhos do mundo, mas esteja certo de que você tem exatamente o que Deus precisa para ser um “servo bom e fiel” (Mt 25, 21).
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