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Música: expressão e ministério

17 JUN 2015
17 de Junho de 2015
É bem presente na nossa sociedade (e dentro da Igreja não é diferente) uma visão preconceituosa do artista como aquele que quer sempre aparecer, que gosta de ser o centro das atenções, que faz de tudo para ser notado. Isso, em se tratando do meio cristão, extrapola para os níveis do pecado, uma vez que o artista que se reconhece como tal estaria usurpando o lugar de Deus.

A partir da carta de S. João Paulo II aos artistas (1999) esse preconceito deveria ter vindo abaixo. O então Papa (que houvera sido ator em sua juventude) conclama os artistas da Igreja a se assumirem como tal sem vergonha de serem o que são. No entanto, ainda vemos artistas que se sentem reprimidos em sua atividade, por simplesmente achar que tudo o que têm a fazer é seguir ordens.

O artista tem uma necessidade de criar, de se expressar. Essa necessidade é a ele quase tão cara quanto respirar e muitos encontram aí sua grande (e às vezes a única) motivação para viver. Com o músico cristão não é muito diferente; embora possua uma motivação espiritual para sua vida e sua arte, ele também precisa manifestar sua subjetividade através da expressão, no caso, a música. E essa manifestação, em sua autenticidade e verdade, pode ser, por si só, evangelizadora.

Só que o que acontece muitas vezes é que a Igreja demonstra somente a necessidade técnica da sua arte, pois precisa de “alguém que toque na missa das 8h” ou no grupo de oração. Daí o músico aprende todo aquele repertório, litúrgico ou da RCC e serve à Igreja com seu dom, seu talento. Isso é ótimo. No entanto, em alguns músicos, essa necessidade extrapola os limites da simples execução. Fazer música é muito mais do que tocar.  Daí o guitarrista estuda para fazer um solo lindo e aprende que na missa ele não pode solar. O baterista compra um equipamento top de linha, mas na missa não pode ter barulho. O vocalista estuda e canta belissimamente, mas no grupo de oração os melismas estão atrapalhando o louvor. Diante dessa situação, não são poucos os músicos que se frustram e abandonam a Igreja, e, como se não fosse suficiente, debaixo de uma chuva de críticas e julgamentos de que estão ali para aparecer mais do que Jesus.

A solução dessa equação é simples. Música é ministério sim, e, de fato, a música na missa exige sobriedade e no grupo de oração deve favorecer o louvor. Mas música também é expressão. Dado isso, o músico católico que deseja se expressar precisa construir seu próprio espaço. Sim, construir, pois não existe uma estrutura pronta na Igreja para absorver esse trabalho. Foi a partir disso que a partir da década de 80, grupos de jovens se reuniram para formar bandas de música que começaram a fazer shows em suas paróquias e nas paróquias vizinhas, tocando e ouvindo a música de que gostavam e com a qual se identificavam. Na década de 90 surgiram os primeiros discos, gravadoras e foi assim que nasceu a Música Católica conforme a conhecemos hoje.

Músico: não enterre seu talento. Sirva a Deus com humildade e obediência. Também na humildade e na obediência crie seu canal de expressão. Monte um show com seus amigos, crie um canal no YouTube, vá visitar doentes e idosos, sei lá… “A Igreja precisa da [sua] arte”!
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